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terça-feira, fevereiro 19, 2008
À Liliana Barabino, com carinho

Hoje estou com o coração faltando um pedaço.

Minha colação de grau acontecerá amanhã, dia 20 de fevereiro e, em alguns momentos, estarei na formatura de alguns amigos com quem estudei. Lendo os e-mails trocados entre as pessoas da turma da faculdade, recebi uma notícia me me deixou arrasado. Faleceu nesse final de semana Liliana Barabino, professora querida, redatora publicitária de reconhecida qualidade e amiga amada.

Senti muito ao receber a notícia. Desde a época em que trabalhei no Mackenzie, até quando fui seu aluno e tive o prazer de tê-la na minha banca de TGI/TCC, sempre recebi muito carinho dessa pessoa maravilhosa e, profissionalmente, um exemplo a ser seguido.

Uma ótima amostra de seu grande trabalho é o texto Torcida, escrito por Liliana quando era redatora da agência de publicidade DPZ. Texto esse que, por muito tempo, foi encaminhado de milhares a milhões de pessoas pela internet, mas creditado errôneamente a Carlos Drummond de Andrade; mesmo tendo um estilo e linguagem muito contemporâneos e diferentes do autor.

Hoje estou com o coração faltando um pedaço. Enorme!
Espero que aí onde estiver, que continue transbordando simpatia, carinho e esse sorriso tão terno. Pois, por aqui, estamos tristes, privados de todas essas coisas maravilhosas. Dessa pessoa maravilhosa. Desse anjo. Obrigado por tudo!





TORCIDA
por Liliana Barabino


"Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina. Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer perfeito. Daí continuaram torcendo. Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então?"

"E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer. Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time."

"Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido. E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido."

"Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade. Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa."

"Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço. Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. Seus pais torciam para passar logo essa fase."

"No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você. Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina. E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Passou a se torcer à noite na cama. Torceu para não broxar."

"Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel. E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele."


Obrigado por ser uma das pessoas que sei que estavam torcendo por mim. E por me lembrar disso várias vezes nesses quatro anos. Torço para que Deus a abençoe muito aí!

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posted by Callebe Garcia @ 3:42 PM @ @
2 Comments:
  • At domingo, outubro 05, 2008 6:57:00 PM, Anonymous Hermes said…

    fantástico este texto...imortal e atemporal

     
  • At terça-feira, agosto 31, 2010 12:37:00 AM, Blogger celsoluizmnobre1 said…

    Trabalhei com a Liliana no primeiro emprego dela, na falecida Gang Publicidade. Liliana devia ter vinte e poucos anos e, já com um brilho inigualável, começou a ganhar um prêmio atrás do outro. Rapidamente, os dinossauros da Gang (Lívio Rangan, Rodolfo Volk, Licínio de Almeida e Luis Horta) apropriaram-se dos créditos das campanhas e demitiram a menina que ofuscava seus "talentos". A Gang morreu. . . Liliana sempre viverá.

     
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